Pare o mundo que eu quero descer!!

Tem horas que parece que o chão se abre.
Como uma cratera
E draga tudo o que existe de bom
E tudo fica cinza e sem graça

E dá um cansaço
Uma vontade de simplesmente parar com tudo
Sentar embaixo de uma árvore
Respirar profundamente, até sentir o peito estufar.
E ficar lá, no queito e no seguro.

Tem horas que parece que o mundo roda muito rápido
Tão rápido que dá até enjôo
Como se tivessem apertado o forward
E tudo estivesse indo mais rápido do que o meu corpo e minha mente podem aguentar

E aí, tudo o que eu quero é parar
Sair
E deixar tudo correndo
Bem longe de mim

Patricia Alves Bonfim

Livro: Se eu morrer antes de você – Allison Brennan

Título do Livro: Se eu morrer antes de você
Título original: Love me to Death
Autor: Allison Brennan
Série: Love me to Death
Volume: 01
Gênero: Romance policial
Editora: Universo Livros
Páginas: 479
Valor: R$44,90

Lucy Kincaid é uma jovem mulher que há seis anos foi sequestrada, estuprada e quase morta por homens que divulgaram ao vivo as agressões pelas quais ela passava e promoviam uma votação via internet, ela deveria ou não morrer?

Sendo de uma famíllia de agentes do FBI, militares e mercenários, ela conseguiu ser resgatada com vida.

Embora tenha passado por uma situação traumática, com o passar dos anos Lucy deixa cada vez mais a posição de vítima e se especializa em crimes virtuais, caçando molestadores e estupradores que fazem suas vitímas a partir de contatos em chat. O trabalho começa a surtir efeito, e Lucy, com a ajuda da polícia, manda diversos predadores para a prisão. Até que ela descobre que alguns dos predadores que ela caçou morreram misteriosamente, antes de ser possível a polícia capturá-los.

Com a ajuda de seus familiares e de Sean Rogan, um detetive particular sócio de um de seus irmãos, Lucy investiga os crimes buscando qual a ligação entre eles e os responsáveis, afinal estão usando seu trabalho de identificação para achar e matar esses predadores.

Totalmente envolvida na investigação e no romance que inicia com Sean, ela pouco percebe que corre risco, um dos predadores que tentou prender vem agora atrás dela, e quer vingança.

O livro é envolvente, não dos mais envolventes que já li, mas é bem amarrado e leva o leitor a se deliciar com a história.

O modo da narrativa é interessante, feita a partir da visão de diversos personagens, como alguns outros livros, porém nem sempre há uma separação clara de quem está contado a história, em mais de uma vez, principalmente em passagens onde a Lucy e o Sean estão conversando, a autora passa dos pensamentos de um ao pensamento do outro, dando uma idéia exata de quais são as intenções das personagens.

Diferente da muitos livros policiais não há grande reviravoltas, o leitor acaba sendo preso pela curiosidade de como os fatos irão se desenrrolar.

Como em outras narrativas onde há uma heroína e não um herói, tenho a tendência a achar que agradaria um pouco mais o público feminino. Os principais temas abordados, estupro e abuso sexual são muito fortes, principalmente quando conduzidos por uma mulher que sofreu com isso, mas algumas cenas de romance talvez desagradariam os que gostam puramente da ação. De qualquer forma sendo um livro policial, tem todas as características que fazem sucesso com o público em geral.

Sobre o título em português acredito que não foi uma boa escolha, não soa como romance policial, e sim como algum livro que retrata uma história do estilo “Doce Novembro”, quase não foi atraente para mim e acredito que é mais um ponto contra a atratividade do livro aos homens.

Minha avaliação: É um bom livro. Indicaria para quem gosta de romances policiais. É uma leitura forte, porém não muito pesada.
3 estrelas

Ser pensante

Desde que vi um twitter de um amigo, que dizia alguma coisa parecida com “Veja esse vídeo se você é um ser pensante”, parei um pouco para raciocinar o que exatamente isso significava.

Esse tipo de questionamento é o que me torna uma pessoa extremamente chata sempre às vezes.

Acho que o conceito de “ser pensante” sempre esteve muito ligado ao quanto culta é uma pessoa. E essas pessoas, no geral, são admiradas pelas demais, por possuírem idéias ímpares, na maioria contra o que a massa da população acredita. Quando não são admiradas, são pelo menos notadas.

Os filósofos eram essencialmente seres pensantes, pois basicamente era isso que faziam, viviam a pensar sobre a existência humana e dúvidas existenciais, pensaram sobre a organização da sociedade e sobre o comportamento humano. Alguns deles também pensaram sobre política, sobre formas de governo, eram literalmente seres pensantes.

Depois, na época da Renascença, “seres pensantes” eram pintores, escultores, pessoas como Leonardo Da Vinci eram consideradas modelos (algumas vezes loucos também), eram eles quem ditavam a tendência, mas não a tendência de massa, era uma tendência para pessoas igualmente cultas, essas que se consideravam mais pensadoras do que o restante.

Estou lendo um livro chamado “Resistência – A história da mulher que desafiou Hitler”, achei algumas partes impressionantes, histórias de pessoas que arriscaram sua vida por suas idéias, seus objetivos, pelo que acreditavam.

Dentre tantos acontecimentos, eram admiradas pessoas pensantes nas Grandes Guerras, nas independências dos países (não que o nosso seja um grande exemplo disso) e na luta para se ter uma vida melhor. No Brasil tivemos movimentos contra a ditadura, que acho até hoje que é o que temos de mais concreto quando falamos de pessoas que têm uma idéia e querem defendê-la (pelo menos as pessoas se mexiam para isso).

Passando o tempo, essa questão de “ser pensante”, de ter uma opinião, começou a fazer com que as pessoas achassem que simplesmente por ser do contra elas estão acima em um nível intelectual, e que se alguém tem uma opinião sequer próxima da massa é uma pessoa alienada, que não consegue separar o joio do trigo.

Não quero dizer aqui que ser do contra é ruim, muito pelo contrário, opiniões diversas movem a sociedade. Só acho que estamos ficando cada vez mais hipócritas em relação a isso. Ser uma pessoa de opinião está virando algo relacionado a status, mas isso não é o ruim, sempre foi assim, o que é realmente ruim, é que certas pessoas que dizem ter opinião, são só papagaios mal treinados de idéias de outros e não tem a menor noção do que estão falando.

Existem pessoas hoje que se prendem tanto no status de “ser pensante” que se tornam contra tudo e contra todos, a fim de simplesmente mostrar o quanto os outros estão errados. Essas pessoas se tornam insuportáveis. E normalmente tem opiniões sem base nenhuma ou totalmente absurdas somente para sustentar sua revolta.

Quando tinha por volta de 10 ou 11 anos, lembro que pedimos para a professora deixar que ouvíssemos a música do Gabriel O Pensador, “Cachimbo da Paz”, me lembro claramente como foi e como tinham crianças de 11 anos capazes de entender exatamente do que a música dizia, cada palavra, e não só literalmente, como também socialmente, os impactos da maconha para as pessoas, se ela deveria ser liberada ou não, discutimos isso com 11 anos de idade  enquanto muitos adultos eram ou se faziam cegos àquilo. Essas mesmas crianças dançavam “É o Tchan”, assistiam “Chiquittittas” e claro, à novela das 8. Seres pensantes ou produtos da massa?

Na época dos meus pais – que viveram uma parte da adolescência durante a ditadura militar – eram consideradas pessoas pensantes aqueles que defendiam o seu país como um lugar democrático, que levavam bomba de gás, tiros de borracha e chegavam em casa com as costas roxas de cassetete. As músicas traziam nas entrelinhas mensagens de revolta contra o governo, e somente as pessoas igualmente intelectualizadas conseguiam entender. Hoje qualquer um adquire o título de pessoa pensante simplesmente por não gostar de funck.

Aí temos uma coisa realmente engraçada, se você é uma pessoa de opinião, e por algum motivo bizarro gosta de funck, acabou de perder se status como ser pensante da sociedade, você passou a ser somente mais um da massa popular, independente de você lutar ou não pela melhoria da educação, da saúde ou buscar formas de disseminar cultura no seu bairro ou na sua cidade.

Confesso, pertenço ao grupo de pessoas que se acham pensantes e que não gostam de funck, mas também pertenço ao grupo de pessoas que não buscam jamais as autoridades para que eles façam suas obrigações já que pagamos um valor enorme de impostos, e raramente me interesso pelas coisas que estão acontecendo o suficiente para ter uma opinião à respeito.

Acho que esse é mais um texto sem conclusões, sem tomar partido de quem é certo ou errado, mesmo porque não tenho uma opinião fechada sobre isso, a mutação é constante. A única coisa que posso dizer é que praticamente todos que vissem o twitter desse meu amigo se achariam no direito de assistir ao vídeo, e realmente quase todos teriam esse direito. Isso porque de uma forma ou de outra as pessoas sempre tem aquela pequena faísca de “ser pensante”, aquela opinião do contra, mesmo que fique só dentro dela.

Blog Day 2009

Pra quem não sabe, o Blog Day é um dia no ano (uau!!!), onde se indicam 5 blogs para que as pessoas conheçam.

Pouquíssimas pessoas acessam esse meu blog, mas como me senti totalmente lisonjeada de aparecer nas indicações da Marta resolvi também fazer as minhas.

Acho que não vou conseguir fazer somente 5, mas tentei enxugar, lá vai:

Um Sábado Qualquer – Eu chamo de Tirinhas de Deus, é um blog comandado pelo Carlos Ruas, com ótimas tiradas de humor e desenhos excelentes. É um daqueles blogs extremamente viciantes.

Contratempos Modernos – Também um blog de tirinhas, com traços que eu adoro (sei lá meio preto e branco, tipo Depósito de Calvin, que também é totalmente indicado) e com sacadas de humor ótimas, principalmente na série High School Comics, vemos os professores de outro jeito.

Compulsive – Blog da Marta, sem comentários, tá cada vez melhor, acho que é porque ela tá investindo nisso, e ela tá escrevendo cada vez melhor.

Eu Capricho – Blog de Menininha, é eu sei que não sou o melhor exemplo desse público, mas no geral é bem legal, dá umas dicas pra mulher, para beleza, moda, saúde.. e tem promoções (o que é extremamente ótimo, ganhei um conjunto de shampoo, condicionador, creme e talz, e foi tudo super correto na promoção, enviou tudo certinho e eu adorei o prêmio), enfim, é um blog legal pra toda garota de vez em quando se sentir mais feminina.

Copia Meu Filho – Blog com todo aquele conteúdo que está em todos os blogs (piadas, vídeos escrotos e similiares) em um lugar só… pode não ser o melhor blog do mundo, mas sempre aparece alguma coisa pra eu dar umas risadas, por isso aqui seu lugar de direito.

Malvadas - Sexo, comportamento e um monte de coisa legal pra ler, é o blog de variedades realmente variado, bem direcionado à garotas mas eu digo: Garotos que querem se dar bem, é uma excelente pedida.

Hum quase consegui, escolhi 6.

Além disso os blogs que estão  no “Eu Recomendo” são ótimos (por isso eu recomendo ^.~), citei esses porque tem mais atualizações e por isso fazem parte do meu dia-a-dia.

Bom é isso..
Bjus e até.

Uma Rotina Incasável – IV

Anterior: Uma Rotina Incansável – III


E o despertador tocou, exatamente às 5:30 da manhã.

- Ah, não quero levantar… –  Juliana virou para o lado e voltou a dormir.

- Puta que o pariu! To atrasada. O relógio já marcava 6:35.

Tomou banho rápido, se trocou aos trancos e barrancos e saiu como um foguete de casa. Ela chegaria de novo atrasada.

Esperou ônibus, entrou naquela lata de sardinha e foi chacoalhando até o metrô. Onde tinha mais gente, e parecia outra lata de sardinha.

Essa hora da manhã era difícil pensar, ir para o trabalho já tinha se tornado uma coisa tão mecânica que ela nem precisava pensar em como chegar lá.

Algumas vezes, mesmo dirigindo, o caminho era tão conhecido, que ela só percebia que tinha saído de casa quando sentava em sua mesa.

Chegou esbaforida e descabelada, além é claro, de estar atrasada.

Quando sentou em sua mesa, finalmente começou a pensar em algo. A primeira coisa que veio na sua mente foi o dia anterior. Pensava sobre isso enquanto abria seu e-mail, depois seus feeds, engraçado a capacidade humana de ligar o piloto automático e permanecer assim.

Estava bem alegre, afinal, esse seria seu último dia de trabalho antes do mês de férias. Ah férias, você sempre fica sonhando em tê-las e quando finalmente chega, não sabe muito bem o que fazer com elas, além de começar a acompanhar todas as novelas, inclusive as da tarde, e ver os filmes de sessão da tarde.

Quando finalmente chegou à parte das lembranças onde dormia pensando que aquele senhor pervertido que canta garotas indefesas que acabam dormindo enquanto esperam seu pai em seu carro quebrado, era um anjo.

Aquilo não saia de sua cabeça, de onde tinha tirado aquela idéia? Lembrou do documentário, e começou a pensar como seria se aquilo fosse verdade, quer dizer, e se ele fosse um anjo? Isso queria dizer que alguém lá em cima se importava com ela. Afinal as coisas não estavam tão ruins assim, não se manda um anjo para qualquer um.

Desistiu desses pensamentos, tinha uma péssima mania de imaginar demais. Isso nunca era bom, principalmente em relacionamentos amorosos, ela saia duas vezes com o rapaz, e começava a pensar em tudo o que ele poderia fazer para provar seu amor. Fazer uma daquelas loucuras de amor, isso era super brega, mas será que um dia ele teria coragem de fazer uma coisa assim? Não que ela quisesse que ele fizesse, mas imaginava se ele seria capaz.

“Mas será que ele é daqueles anjos que vivem na terra escondidos entre nós ou ele só veio falar comigo? Será que os anjos agem como a gente fala? Porque, por exemplo, os vampiros, se eles realmente existem, não acho que vivem igual ao que a literatura retrata. Droga, to pensando nisso de novo.”

Ela simplesmente não conseguia parar de pensar, a imaginação dava margem à sua curiosidade, inventou situações onde via o velho tarado virando anjo e farfalhando suas asas. Aliás, pensava ela, se ele fosse mesmo um anjo, teria que parar de chamá-lo de velho safado.

No final da tarde depois de muitos pensamentos, muitas invenções e a perspectiva de um mês de férias sem nenhuma emoção, teve uma idéia. Iria investigar o velho tarado, e descobriria se ele era seu anjo.

Estava decidida e no dia seguinte quando acordou tomou um banho e foi procurar seus “materiais”, seu sobretudo bege, que achou que nunca teria a oportunidade de usar, e seu kit de detetive, um caderninho de anotações da Hello Kitty, uma caneta rosa com um pompom na ponta (nenhuma das outras pegava, ela odiava essa caneta), sua câmera com as fotos do último Natal, que tratou de descarregar no computador antes de sair, e por último, mas não menos importante, seu binóculo que fez questão de comprar na única vez que conseguiu juntar dinheiro o suficiente para ir à um apresentação no Teatro Municipal.

Saiu de casa pisando forte, já testava o seu “Elementar meu caro Watson.” Finalmente faria algo de suas férias que não fosse assistir ao “Vale a Pena Ver de Novo” e esperar, de novo, que a mocinha fique com o mocinho (mesmo já sabendo exatamente o final).