Uma Rotina Incasável – I

E ela disse: “Não, isso NÃO vai acontecer de novo!!”. Claro que aconteceu. Sempre que falamos, ou melhor, suplicamos para que algo não se repita, é justamente porque está prestes a se repetir, e falamos que não vai acontecer somente com a intenção de se iludir, pensar que a força das palavras vai evitar toda a sequência de acontecimentos patrocinados pela nossa querida lei de Murphy.

Era incrível, sempre se passava uma semana,e o carro quebrava, e chovia, ah, como chovia. Era começo de primavera, ela se irritava ao ver todas as pessoas felizes porque as flores estão abrindo, o ar está mais úmido, as crianças brincando depois de não poder sair de casa por todo o inverno.

Realmente, aquilo parecia horrível.

E lá vai ela, toda bela e comportada, tentando manter-se calma – os níveis de stress já a tinham levado 2 vezes para o médico esse ano – ligar para o seu pai pedindo socorro, com certeza, sua mãe não perderia a chance de lembra-lá que ainda não tinha um marido para o qual ligar.

Obviamente ela não tinha um seguro para o carro, e quando foi ligar para o seu pai, mais obviamente ainda, seu celular não tinha crédito. Aquilo era realmente a gota para completar uma segunda-feira, o melhor dia da semana.

Tentou ligar a cobrar algumas vezes, em vão, sua mãe sempre dizia: “Não atendo ligação a cobrar, é um absurdo uma pessoa querer me ligar e eu ainda ter que pagar.” Saiu na chuva, de vestido e salto para comprar um cartão e ir até o orelhão.

Ligou, seu pai que, sempre solícito, disse que já estava indo ao seu encontro, sua mãe puxou o telefone e disse: “Carro quebrado de novo? Só compra lata velha. Podia pelo menos ter um marido para ir te ajudar. Você realmente…”. Ela não ouviu o resto, desligou o telefone e resolveu ir para o carro esperar.

Do centro de São Paulo até o ABC, bom, ele devia demorar umas 2 horas, contando o trânsito. Agora era fazer o que? Sentar e esperar….
Tem certas coisas que ela não entendia, como por exemplo, o quanto as coisas tinham de dar errado até começarem a dar certo?

Ligou o rádio, nenhuma rádio pegava, estavam todas chiando muito e quando achou uma que funcionasse, tocava Calypso.

Desligou o rádio, e se encolheu, morrendo de vontade de chorar.


Queria tornar esses contos uma série, alguém tem sugestões de situações ou personalidade para nossa personagem?

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2 comentários em “Uma Rotina Incasável – I

  1. Pingback: Uma Rotina Incansável – II « Aspirante Literata

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