Uma Rotina Incansável – II

Início – Uma Rotina Incansável – I


Acabou adormecendo.

Juliana era uma garota de um pouco mais de 24 anos, razoavelmente bonita, isso quer dizer que não chamava a atenção pela sua beleza, mas também não era um tribufu.

Estudava, trabalhava, morava sozinha e tinha grandes ambições.

Quando pequena, era muito apegada aos pais, aos avós, mas nunca foi de demonstrações públicas de carinho, era muito tímida, e na adolescencia demorou a se acostumar a cumprimentar seus amigos com um abraço apertado.

Sempre foi muito estudiosa, na verdade, só tinha facilidade de aprendizado, porque sempre teve consigo uma preguiça que tinha certeza que era o maior de seus pecados. Teve uma infância normal, exceto pelo excesso de timidez, que a fez por muitos anos ser uma garota de poucos amigos, embora sempre conversasse tranquilamente com qualquer um que puxasse assunto.

Quando entrou no colegial, a timidez começou a se desfazer, conquistou muitas amizades, se sentia amada, muito amada por todos, e isso era motivo de uma alegria constante. Foi nessa época da vida que descobriu a importância de se ter fortes amizades. Teve vários namorados, aprendeu a matar aula, e aproveitou cada minuto.

Ao sair do colegial, ela já não se lembrava do que tanto tinha medo quando era menor, porque era tão tímida?

Era uma garota que pensava muito sobre o comportamento humano, não entendia porque certas pessoas agiam de maneiras ruins, porque certas pessoas gostavam de humilhar ou de simplesmente fazer alguém se sentir inferior á elas. Ela nunca entendeu.

Quando entrou na faculdade, tinha a certeza de que seria apenas uma extensão da vida que já tinha, ou seja, agora teria mais amigos, mais namorados, baladas, bebidas e muita diversão.

Não foi bem assim.

Por algum motivo, que até hoje não sabe qual, começou a ser uma pessoa rejeitada. Não sabe se é porque ela simplesmente era sincera sobre certos aspectos (o que incomoda muita gente) ou se tinha se tornado uma pessoa chata.

Isso começou a ser uma constante em sua vida, ninguém a chamava mais para as festas, para os encontros, happy hours, viagens ou qualquer evento social.

Se tornou fechada, tímida, triste, passou a ter vergonha da própria personalidade que ela tinha tanto orgulho de ter construído durante os anos. Regrediu, estava confusa, não sabia como se comportar. Raramente falava e sentia um vazio no peito, que acordava e dormia com ela todos os dias.

Não sabia mais o que fazer, tentava se distrair com tudo que era possível. Mas sabia que fazia muito tempo que não sentia vontade de rir, vontade de dar aquela risada que sai de um lugar perto do estômago e inunda a alma. Fazia um bom tempo que não sabia se realmente era uma pessoa realizada.

Alguém bateu no vidro do carro, Juliana acordou:

– Com licença, mas você está na porta da minha garagem e preciso sair.

Depois de muitas tentativas conseguiu puxar o carro alguns metros para trás.

O senhor, já de barba e cabelos brancos, foi até a janela do carro, deu um sorriso amarelado e disse:

– Obrigado! – sorriu novamente e virou-se para ir embora, parou por um instante e retornou para ela – Sabe, quando olho para você, vejo uma pessoa iluminada.

Juliana só sorriu, não entendeu muito bem o porque daquilo. O senhor foi embora, e a deixou novamente sozinha, na chuva, esperando por seu pai.

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2 comentários em “Uma Rotina Incansável – II

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