Se você não sabe, o Google sabe?

Desde que abri esse blog venho observando uma sessão das estatísticas do WordPress: “Termos de motor de busca”.

Achei muitas coisas lá: desde de “o q fazer para nao sentir sono o tempo todo” até “eu não acredito em sentimentos”. Enfim, inúmeros e diferentes termos que acabavam levando à poemas, poesias ou textos que eu já escrevi. Mas não foi isso que me chamou a atenção.

O que me chamou realmente a atenção foram as perguntas que são colocadas em um buscador, perguntas como “o que fazer quando o namorado esta estranho” ou “porque viver assim se a vida é tao bela”.

O que as pessoas realmente pensam quando param diante de um computador e perguntam porque suas vidas estão como estão?

Vivemos em uma era que muitos dizem que os relacionamentos interpessoais estão cada vez mais raros, eu particularmente discordo, acho que a vida online é uma extensão, apenas mais um canal pelo qual você pode se conectar às pessoas. Mas de qualquer maneira, muitos acham que as pessoas estão deixando de ter o relacionamento humano, téte-a-téte, tentado evitar principalmente as frustrações e decepções que são tão comuns, seja em relacionamentos amorosos, amizades ou simplesmente coleguismo.

Ao ver essas perguntas, pensei em que estado um ser humano está para se sentar na frente de um computador, entar no Google, e ao invés de procurar ‘Introdução a lógica de programação’, procurar ‘Qual será o próximo passo da minha vida?’.

Será que essa pessoa realmente acha que vai encontrar uma resposta?

Sabe o que é o pior? Ela vai!

Tem de tudo da internet, sabemos disso, até pessoas dando conselhos esdrúxulos de como os outros devem seguir sua vida.

E agora? Alguém irá se apagar a uma página de internet, um emaranhado de tags, salvos com .html para direcionar sua vida? Escrito por alguém que poderia estar extremamente depressivo, ou alguém que simplesmente nunca passou por uma situação daquela realmente, só escreveu porque achava o tema ‘bonitinho’?

Sou do tempo em que conselhos se pedia para as amigas, mães, primas, não eram os melhores conselhos do mundo, tenho que dar o braço a torcer, mas pelo menos elas olhavam nos olhos e tentavam deixar a situação um pouco mais agradável.

Muitos dizem que a nossa geração é uma geração imediatista, com isso eu concordo, jamais iremos conseguir esperar 1 semana por um produto, pois estamos acostumados a que ele seja entregue em 24h. Isso mesmo, 24h e não um dia útil, porque não temos exatamente a definição do que é um dia útil, já que trabalhamos em tantos dias diferentes da semana, somente conseguimos saber quais são os tão falados ‘dias úteis’ quando precisamos ir ao banco.

Mas será que essa geração imediatista está chegando ao limite de achar que até mesmo os seus sentimentos, dúvidas de existência e até todas as filosofias que passam em sua mente serão resolvidos em 24h?

Que é somente entrar no Google, digitar qual é a sua dúvida que terá uma receita de como se resolver?

Não estou dizendo que todas as pessoas irão seguir qualquer coisa que encontram na internet, o problema é que quando uma pessoa se submete a isso, está totalmente sem rumo, e como diz William Shakespeare “se você não sabe para onde está indo, qualquer caminho serve”.

Talvez a única coisa que as pessoas precisem agora é estar mais perto uma das outras. Não estou condenando a tecnologia, longe de mim, e nem dizendo que mais perto é sentar ao lado de alguém para conversar, apenas acredito que aquelas perguntas da sua vida, que você gostaria tanto que tivesse alguém para ajudar a responder, serão bem melhores dicutidas em um e-mail para aquela sua amiga que mora a 20 minutos da sua casa, do que por um buscador na internet.

Não sou adepta a teorias de que o mundo entrará em colapso, nem que nossos filhos e netos serão pessoas obesas, que ficarão sempre dentro de casa, em um computador, conectadas a internet todo o tempo e mal saberão falar com um outro ser humano.

Mas acredito que o ser humano esteja regredindo nesse sentido. Estamos cada vez com mais receio de nossos sentimentos, com medo de mostrá-los, até para as pessoas mais íntimas. Com medo de acabar se decepcionando com algo que aconteça, mas simplesmente ignorando que a mesma coisa que pode nos decepcionar pode trazer uma enorme felicidade.

Não tinha colocado essa palavra no meu blog ainda, felicidade, agora, colocando-a no meu texto, não acho difícil encontrar mais um termo nas estatísticas do wordpress: “Como encontrar a felicidade”

Bom, para ser bem sincera eu não sei o caminho, mas também acho pouco provável que o Google saiba te responder.

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6 comentários em “Se você não sabe, o Google sabe?

  1. Viu o que eu tava falando quando disse no meu post sobre o #blogsemnome que vc era a pessoa de pessoas? ERA DESSE TIPO DE TEXTO EXATAMENTE QUE EU ESTAVA FALANDO. To tão orgulhoso do nosso time *-*

  2. “O que as pessoas realmente pensam quando param diante de um computador e perguntam porque suas vidas estão como estão?”. Taí uma boa pergunta.

    Ahnm Paty, seu post quebra as pernas do meu blog, hahahah! Tudo que eu faço é falar pras pessoas o que elas poderiam fazer (bem “should” ou “might” mesmo, sabe?) o tempo todo. Eu sinceramente acho melhor deixar minha opinião do que duplicar conteúdo de blogs internacionais que a GoogleRedorsfera já viu há duas semanas.

    Mas quem segue à risca é que é triste, né? Mesmo porque com cinco blogs diferentes você já tem cinco opiniões opostas e é impossível não criar o que você realmente quer ser no fim das contas.

    Great post. Bom pra pensar na vida.

    • Hahaha, num era pra quebrar seu blog, bem ou mal estou falando pras pessoas o que fazer tbm, eu acho…

      O lance desse texto é que é triste mesmo, uma pessoa procurar ajuda num buscador, sei lá, como o Hudson disse ai em baixo “o afastamento entre as pessoas está em níveis injustificáveis”

      Bjus

  3. Paty *intimidade com gente que não me conhece*,

    Concordo que hoje o afastamento entre as pessoas está em níveis injustificáveis… especialmente entre pessoas que teoricamente se conhecem.

    Igual aquele caso do austríaco, Joseph Fritzl. Ninguém que o “conhecia” imaginava o tamanho do segredo que carregava. Não que me baseie em “casinhos da mídia” para meus argumentos, mas acho que ela (a mídia) geralmente transborda aquilo que já “enchia o copo” da sociedade.

    Isso me lembra um refrão muito bom de música, “Secret”, do Maroon 5… everyone has a secret, oh, but can they keep it? Oh, no, they can’t! *abre o player e para de desvirtuar os comentários*

    • Você resumiu tudo em uma frase só “o afastamento entre as pessoas está em níveis injustificáveis”, chega a ser triste…

  4. concordo com tudo o que a mocinha disse… seria um porém, caso estivesse caindo em contradição a minha concordância, levemos como um ‘parênteses’:

    ontem as cartomantes, os livros de auto-ajuda, hoje, o google, amanhã uma nova ferramenta/mídia/médium… foi, é e será sempre assim…

    a necessidade de respostas é clara… chega ao extremo quando algo do tipo é perguntado a uma página de busca…

    belo texto, moça! parabéns!

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